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Brisa.

Brisa, doce brisa que trazes contigo o cheiro a recordações, tu que juntas mil folhas e destrois mil enganos. Sim , tu que corrois a muralha imaginaria entre o meu passado e o meu presente. Queria-te de volta a acareciar os meus cabelos e a refrecar o meu corpo. Perciso de um pouco mais de ti, só mais um segundo que seja para poder voltar a sorrir e a sentir a necessidade de que eu exponha outra vez aquele olhar. Basta um sinal e prometo-te fidelidade eterna e uma procura sem fim, porque tu oh brisa temperamental, fazes recuos e avanços nos meus cabelos, mas provocas eterna saudade no meu complexo interior.

Consumida

Um corpo dormente, cansado faz peso sobre uma cadeira já sem cor, uma lágrima faz um percursso descontrolado pela cara, acabando por cair numa perna. A mão segura a cabeça que teima em cair. Envolvido em calor os olhos entre abertos deslumbram a lareira em que o fogo consome a madeira, pedaço a pedaço. Os pensamentos estão perdidos e baralhados, os sentimentos trocados e as convicções mudadas. Quando a tristeza invade a alma, o corpo cede e destroi o coração.

Um estalito da lareira desperta os olhos vermelhos e já com dor visivel neles, engole, para, pensa e segue em frente. Porque o corpo parou e sentiu mas a vida nao para nem espera por ele.
A vida aguenta-se sempre, mas o corpo tem um fim!

Onde estou?

Queria encontrar me, mas não sei onde estou, estarei entre as estrelas que brilham nas noites em que o amor se encontra entre dois olhares? Estarei no sol que aquece duas vozes revoltadas? Estarei no cruzamento da rua onde as pessoas andam mais rápidas que a luz? Estarei no meio do stress, sofrimento , alegria, diversão, disputa , inveja,  confusão , poluição que são as cidades enormes iluminadas de noite e preenchidas de dia? Estarei no meio do deserto quente e árduo onde se percorre quilómetros de caminhos confusos, vazios e estranhos sem um fim? Estarei na floresta verde e colorida, onde tudo e bonito e estranhamente perigoso, onde uma árvore pode ser a salvação de um ser? Estarei numa praia, em cima de uma rocha ao lado de uma estrela-do-mar a ouvir os sons do mar, as vozes dos peixes, o sofrimento das sereias, os gritos das gaivotas? Estarei noutro planeta com seres verdes, com três olhos, quatro mãos, três pernas, e duas caudas, com antenas que captam os meus pensamentos estúpidos e sem sentido? Estarei tão longe que não me possa encontrar, ou tão perto que esteja com medo de me descobrir? Estarei perto de ti ou perto de nos?

Há momentos para tudo !

Há momentos para tudo, a minha mãe passa me a vida a dizer isto e realmente tem razão , há momentos para chorar , há momentos para rir , há momentos para brincar , há momentos para amar , há momentos para falar . Há momentos  em  que sinto que sou má pessoa , há momentos em que me sinto bem comigo ( raros estes), há momentos que não compreendo a minha maneira de ser , há momentos em que não compreendo a maneira de ser dos outros , há momentos em que acredito , há momentos que não vivo e apenas existo. Há pequenos momentos que valem por uma vida inteira, há momentos que era melhor não terem acontecido.

Há momentos para tudo até para nascer e morrer.

 

 Queres desperdiçar o teu?

Medo!

Sabes o que é medo? EU não, só sei que não é uma fraqueza, sei que o sinto muitas vezes, vezes sem conta e de coisas muito esquisitas, tenho medo de quase tudo e de quase nada. Preciso do medo para ser pessoa, para ter sempre algo a superar. Quem diz que não tem medo está a mentir, toda a gente tem medo e não faz mal senti-lo.
Não tenho medo de viver, tenho medo da forma de viver. Não tenho medo de morrer, tenho medo da forma de morrer. Não tenho medo de fazer amigos, tenho medo de os perder. Não tenho medo de amar, tenho medo de não ser amada. Não tenho medo das pessoas, tenho medo do que elas fazem. Não tenho medo dos outros, tenho medo de mim!

A caixa

Encontrei-a finalmente, no meio da desarrumaçao que é o meu quarto, aquela caixa que me acompanha desde sempre. Há anos que nao pegava nela; nao sei se foi por medo ou por outra coisa. Será que ainda lá estavam?? «Duvido», pensei, afinal com a raiva do momento tinha as rasgado todas, tinha me passado.

Abri...pensando apenas encontrar recordaçõesboas, por poucas que tenham sido, algo tinha de estar lá. E estava, nao desenhos e laços como pensava, mas sim aquelas fotos. Afinal njão as tinha rasgado, vi aquele rosto estampado na primeira foto com um sorriso cínico que a caracterizava. Ao lado estava ele, sorri , aquela de caracois, pequena e com um olhar feliz era eu mesmo ao lado dele, com aquele olhar doce e paternal de sempre, como ele nunca tive sse abandonado aquele momento. Sabia que havia mais , muitas mais, como posso esquecer aquele ano em que tudo se virou. Continuei a ver, e de repente apareceub aquel foto, a temida, a ultima, o olhar doce dele desparecera, o sorriso também, apenas restara uma cara triste e adoentada e com a previsão do que ia acontecer. Sabia que apartir daquela foto, nunca mais iria aparecer.

Deitei um lagrima em seco fechei os olhos e lembrei me daquele terrivel dia, do ultimo olhar, do ultimo sorriso, da ultimo abraço, da ultima lágrima. Da afliçao , do medo, da ignoranciae da inocencia, como se nunca deixa sse aquele dia ha dez anos atrás.

abri os olhos , continuei a ver fotos, aquele verão que eu nao comprendia como é que ela era capaz de ir conosco, sorrindo e cantando. Era como se fosse hoje , aquela brisa de verao acalmava me e fazia ame pensar que fosse por eles, eles nao tinham culpae tal como eu precisavam de alegria. Ali estavam eles, naquela foto, ele com o ar brincalhao com sempre e ela com aquele sorriso igual a mae. Finalmente tinham acabado as fotos, ams por baixo das fotos estava aquela prenda que nunca foi entrague e sei bem  porque..Aqueles jantares com ela, a importancia que ele lhe dava. Mas acho que era tempo de fechar e enterrar o passado. Fechei a caixa e voltei a abrir. tirei aquelas fotos que me prendiam como correntes ao passado, queimei as fotos nun acto de desespero. Guardei a caixa bem guardada, como joias ou segredos que nao  devem ser descobertos. Deitei me, agrarrei me á almofada e chorei , duas lagrimas salgadas, limpei os olhos e com toda a força deitei a almofada á  porta. Respirei fundo e liguei a telivisao para me destrair.... e quebrei aquele silencio com reclames parvos que passam.

Será que enterrei o passado , ou apenas fugi dele?